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 A Mulher da Neve

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Demon♦Lord♦Myuuko
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MensagemAssunto: A Mulher da Neve   Qua Jun 05, 2013 1:12 pm

Contam que em tempos idos, viviam dois caçadores em uma pacata aldeia japonesa. Mosaku era um velho ancião e Minokichi, seu filho, era um belo jovem de apenas dezesseis anos de idade. Todos os dias eles saiam juntos para caçar coelhos e outros pequenos animais na floresta.
Em certa noite de inverno, Mosaku e Minokichi estavam a caminho de casa quando foram pegos por uma tempestade de neve tão forte que ofuscava a vista, impedindo que encontrassem o caminho para fora da floresta.

Ambos ficaram muito preocupados devido ao vento e a neve que poderia lhes congelar até a morte. Eles andavam na floresta às cegas em meio à tempestade branca e congelante, que os castigavam. Mas, felizmente, conseguiram avistar uma cabana através da nevasca.
A cabana, localizada no alto de uma montanha, era pequena e encontrava-se em total estado de abando. Estranhamente não havia lareira e nada que pudesse fazer uma fogueira. Contudo, estavam conformados, pois ela lhes serviria de abrigo apenas por aquela noite ou até que cessasse a tempestade.
Então eles se deitaram para descansar. Contudo, eles tremiam de frio sob seus casacos unidos, que puxaram firmemente em torno de seus corpos encolhidos, na tentativa de amenizar o frio congelante.
O velho pai caiu em sono profundo logo após deitar-se, mas o jovem Minokichi permaneceu acordado, ouvindo o vento que assobiava através das velhas tábuas soltas da cabana, que balançava e rangia com a tempestade. Porém, apesar do frio e barulhos assustadores, ele foi vencido pelo cansaço e conseguiu adormecer.
De repente, Minokichi foi despertado após sentir a neve caindo sobre o seu rosto. Quando abriu os olhos viu a porta escancarada, que ele e seu pai tinham lacrado para evitar que o vento frio e a neve invadisse a pequena cabana. Foi quando ele avistou uma estranha figura em pé sob o luar. Era uma mulher trajada em um esvoaçante kimono branco.
A mulher estava debruçada sobre o seu pai, que estranhamente continuava a dormir enquanto ela inspirava e expirava ar sob Mosaku. Sua respiração era como uma fumaça branca e cintilante. Momentos depois, ela subitamente virou-se para Minokichi e inclinou-se sobre ele, que, apavorado, tentou gritar, mas descobriu que não conseguia emitir um único som.
A mulher, de pele extremamente branca, foi curvando lentamente sobre ele, parando somente quando suas faces quase se tocaram. Ela era extremamente bonita, mas seus olhos possuía uma cor estranha, assemelhando-se a um amarelo dourado, que brilhava a ponto de ofuscar a vista.
Minokichi estava apavorado enquanto ela o olhava fixamente. Depois de alguns momentos, a mulher virou-se até o ouvido do jovem e sussurrou:

“Eu sou a Bruxa da Neve e estava pronta para matar-lhe, mas reparei que você é um jovem tão bonito que resolvi deixá-lo viver. Porém, o farei com a condição de que você jamais diga a ninguém, nem mesmo a sua própria mãe, o que presenciou aqui. Caso o faça, eu te acharei e te matarei. Nunca se esqueça deste aviso”.

Após estas palavras, ela virou-se e flutuou até a porta, desaparecendo por um rastro cintilante através da neve.
Assim que desapareceu, Minokichi rapidamente levantou-se e correu até a porta, de onde ele olhou na tentativa de vê-la, mas ela estava longe de ser avistada, ainda mais com a tempestade de neve, que continuava em seu auge e invadia a velha cabana através da porta aberta.

O jovem, que parecia estar em transe, rapidamente recobrou a consciência e fechou a porta, firmando seus pensamentos sobre o que a Bruxa da Neve havia lhe dito. Porém, ele começou a questionar-se sobre o ocorrido, ponderando sobre o que presenciou pudesse ter sido um mero sonho. “Talvez a Bruxa da Neve seja um fruto de minha imaginação”, pensou Minokichi.

Após esses pensamentos reconfortantes, caminhou em direção ao seu pai e o chamou, mas o velho Mosaku não respondia. Então o jovem tocou o rosto de seu pai e constatou que estava completamente gelado. O velho Mosaku havia morrido.
Ao amanhecer, a tempestade de neve havia cessado e o jovem se viu obrigado a triste tarefa de arrastar o corpo de seu pai congelado até a vila. Ele ficou tão arrasado com a morte de seu amado pai que permaneceu doente por um longo tempo.

Contudo, as palavras da bruxa se faziam presente em sua mente. Minokichi, temendo que a bruxa voltasse para matá-lo, manteve segredo sobre o ocorrido na noite em que seu estimado pai faleceu, incluindo sua mãe, a quem ele tanto se dedicava, pois temia que o fantasma da bruxa também a matasse. A polícia assumiu que o velho Mosaku morreu devido ao frio da neve e nunca mais lhe fez qualquer pergunta.

Tempos depois, após restabelecer a saúde, Minokichi voltou a caçar na floresta. De qualquer forma, ele tinha o dever de colocar comida em casa. Mas agora estava sozinho, sem a ajuda de seu estimado e falecido pai.
Contudo, ele ainda temia a Mulher da Neve, então passou a voltar da floresta antes do cair da noite, sempre com os coelhos que caçava para a sua mãe cozinhar.

Um ano depois, no meio do inverno, quando estava a caminho de casa, Minokichi conheceu uma jovem. Ela era alta, magra e muito bonita. Enquanto caminhavam juntos em direção ao seu vilarejo, eles começaram a conversar. A jovem disse que seu nome era O-Yuki e que havia perdido seus pais recentemente. Ela estava a caminho da casa de seu tio, onde esperava viver por um tempo até que pudesse encontrar emprego para poder sustentar-se.
Minokichi sentiu-se muito atraído pela estranha, porém bela, jovem, que por sua vez também pareceu atraída pelo rapaz. Então, por algumas semanas, eles passaram a encontrar-se no mesmo local em que se conheceram e acabaram por se apaixonarem.

Certo dia, Minokichi perguntou se O-Yuki aceitaria jantar em sua casa para que ela pudesse conhecer a mãe do jovem. Depois de alguma hesitação, ela aceitou o convite. A mãe do jovem a achou muito bonita e amável. Pouco tempo depois eles se casaram e O-Yuki foi morar na casa do rapaz.

Um ano depois, quando a mãe de Minokichi faleceu, suas últimas palavras foram de carinho e elogios para a esposa de seu amado filho.

Logo após a morte da mãe de Minokichi, sua adorável esposa passou a engravidar consecutivamente. O casal teve muitos filhos. As crianças chamavam a atenção por serem muito bonitas, todas tinham a pele clara como a neve.
As pessoas da vila achavam O-Yoki uma pessoa maravilhosa por natureza, diferente da maioria das aldeãs, que envelheciam mais cedo. Mas O-Yoki, mesmo depois de tornar-se mãe de dez filhos, parecia tão jovem como no dia em que chegara à aldeia.
Certa noite, depois que as crianças tinham ido dormir, O-Yoki estava costurando sob uma lamparina com armação de papel de arroz. Então Minokichi, que a observava com os olhos cheios de ternura, lhe disse:
“Vendo você assim, costurando enquanto a luz ilumina seu belo rosto, fez-me lembrar de algo muito estranho que me aconteceu quando eu era um rapaz. Eu vi alguém tão linda e branca como você está agora. Na verdade, ela era muito parecida com você.”

Sem levantar a cabeça ou tirar os olhos de sua costura, O-Yuki perguntou:
“Diga-me como ela era… Onde você a viu?”

Então Minokichi contou-lhe sobre a terrível noite na velha cabana abandonada. Também contou os detalhes sobre a mulher branca sussurrando em seu ouvido e sobre a morte silenciosa de seu pai. Depois ele disse:
“ Se estava dormindo ou acordado, eu não sei, no entanto, foi a única vez que vi um ser tão bonito como você. Porém, é claro que ela não era um ser humano, eu senti muito medo dela. Muito medo mesmo. Mas ela era tão branca. Na verdade, eu nunca tive a certeza se aquilo foi um sonho ou se realmente era a Mulher da Neve.”

Assim que o marido terminou de contar a estanha história, O-Yuki jogou a costura ao chão, levantou, inclinou-se sobre ele e gritou em seu rosto:
“Fui eu, eu! Eu era a Yuki, eu sou a Yuki! Eu lhe disse que iria matá-lo se dissesse algo sobre isso! Mas, por causa daquelas crianças que estão dormindo, eu não irei matá-lo neste momento. E de agora em diante é melhor você tomar muito, mas muito cuidado com eles, pois se alguma vez, por qualquer motivo ou razão, você maltratá-los, eu irei tratar você como merece!”

Mesmo quando gritou, sua voz era tênue e fina, como um choro de vento. E logo após dizer-lhe aquelas tristes palavras, ela se derreteu em uma névoa branca e cintilante, que evaporou por entre o telhado.
Desde então, Yuki-onno nunca mais foi vista, pois Minokichi sempre foi um pai dedicado e extremamente amável para com os seus dez filhos.


Imagens de Yuki-Onna:
 
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